jose-pedro-rodrigues

Em entrevista, José Pedro Rodrigues - CTO da Caixa Mágica Software, partilha a sua opinião sobre a conjuntura atual e o teletrabalho.

 

Atualmente, o mundo está a passar por uma fase atípica provocada pela Pandemia Covid-19. Como se está a viver o momento atual na Caixa Mágica?

"Felizmente com bastante calma, alguma ponderação e ações concretas que tiveram bons resultados. A Caixa Mágica devido à sua atividade e quadro de colaboradores, não é uma empresa imediatamente afetada, quer em termos de negócio quer em termos de grupos de risco. Isto não obsta a que tenhamos feito tudo ao nosso alcance para alinhar a nossa atividade com as recomendações e melhores práticas na limitação da propagação do vírus, tanto quanto estas são conhecidas.

Mesmo antes da declaração do estado de emergência ou até do encerramento oficial das escolas a Caixa Mágica decidiu colocar toda a sua equipa em teletrabalho. Esta medida revelou-se acertada e foi possível faze-lo rapidamente e sem impacto significativo continuar a produzir ao mesmo nível que antes do lockdown. É nesta fase impossível prever os efeitos da pandemia para além do imediato. O comportamento do vírus é ainda em grande medida desconhecido. Países e regiões diferentes têm tido surto mais ou menos graves, independentemente das latitudes, clima, medidas aplicadas ou comportamento típico da população. Provavelmente, como em tantas coisas, será um conjunto de fatores que poderá potenciar ou reduzir a capacidade de disseminação da doença.

Muito se discute sobre a melhor forma de iniciar o desconfinamento e se novas vagas da doença virão no curto prazo. Com tanta incerteza iremos privilegiar medidas que minimizem o contato dos nosso colaboradores com terceiros, seja nas deslocações seja na atividade laboral, enquanto soluções definitivas não existirem."

 

Uma das medidas de contingência adotadas pela Caixa Mágica consiste no regime de teletrabalho. Qual tem sido o resultado desta medida?

"Superou as expetativas em termos de produtividade das equipas. De notar que o sucesso da medida deveu-se por um lado a características da infraestrutura de suporte já existentes – portáteis e segundos ecrãs para todos os colaboradores, repositórios e ferramentas de suporte em Cloud, equipamentos de comunicação para toda a equipa – e por outro ao estabelecimento de procedimentos de acompanhamento e controlo mais estritos que o habitual – reuniões diárias com todos os elementos da equipa, utilização indispensável de ferramentas de controlo de projeto, análise de produtividade das equipas e individuais.

Os resultados positivos são fruto de alguma disciplina e continuidade no acompanhamento de cada um e de todos. O teletrabalho oferece vantagens pessoais para além do distanciamento social – tempo em viagens de deslocação para o trabalho eliminadas, gestão pessoal do tempo, responsabilização dos colaboradores potenciando a sua autonomia e até alguma redução nos custos com refeições. Vemos assim como forma mais prudente de manter a atividade o mais próxima possível da normalidade a continuação e melhoria dos processos de teletrabalho. Afinal tem sido o teletrabalho que permitiu manter a nossa atividade sem impactos, logo fará todo o sentido continuar a aposta."

 

Quais têm sido os maiores desafios do teletrabalho?

"Ao nível da gestão das equipas e da sua produtividade passa acima de tudo pela necessidade de acompanhar e dirigir a sua atividade assegurando que não há derivas individuais ou que o trabalho a ser realizado não está alinhado com os objetivos. Não encontrámos qualquer colaborador que simplesmente não se tenha conseguido enquadrar no método de trabalho remoto que estabelecemos."

 

Hoje em dia, consideras o regime de teletrabalho uma mais-valia para as empresas da área IT? Porquê?

"As empresas de IT eram provavelmente o setor mais preparado para o teletrabalho. Conceito que estava já a ganhar mais aceitação mas ainda com um ritmo de crescimento moderado. Agora que se abriu a caixa, esperemos que mágica, do teletrabalho não será do interesse de ninguém voltar ao status quo anterior. Há vantagens claras do teletrabalho, ao nível da satisfação da equipa, dos custos da empresa e dos trabalhadores, da eficiência e, talvez principalmente, do tempo que as pessoas terão para si próprias.

Como fatores negativos, que os há, temos  uma maior dificuldade em criar uma cultura de empresa, especialmente para novos recursos, a falta de convivência próxima e maior dificuldade de passagem de informação dos recursos seniores para os mais juniores. Assim, não será ideal, no nosso entender, um regime total de teletrabalho, embora medidas de mitigação dos problemas possam ser tomadas. Por exemplo, num cenário de pós-pandemia, as reduções de custos da atividade da empresa poderão em parte ser aplicadas em atividades presenciais de team building mais regulares."

 

Qual o impacto que esta Pandemia teve no âmbito do negócio da Caixa Mágica?

"O impacto direto foi moderado até agora. A principal preocupação passa pelo prolongamento do estado da economia a meio gás, adiando decisões de adjudicação de novos projetos e, na prática, congelando a atividade comercial. Apesar de estarmos muito otimistas no médio-longo prazo os tempos mais próximos serão desafiantes e imprevisíveis.

As áreas de IT serão ainda mais importantes no futuro com a transformação digital a ganhar uma importância ainda maior. Os milhões de pessoas que hoje exercem as sua atividade em teletrabalho não o poderiam fazer se os sistemas não estivessem já fortemente digitalizados. A transformação digital, que era importante, passará a ser essencial."

 

Qual o feedback dos colaboradores durante este período?

"O feedback dos colaboradores tem sido muito positivo. A possibilidade de continuar com a sua atividade laboral sem impacto, apesar da situação difícil em que o país e o mundo se encontram, tem sido valorizada. A Caixa Mágica vai também fazer um inquérito interno que permita uma visão mais geral e objetiva, quer da situação atual, quer da abertura para a continuação parcial da atividade em teletrabalho."